**PETIÇÃO INICIAL – AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E MORAIS  
C/C INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA**

**Observação:** conforme informado, trata-se de **caso inteiramente fictício**, elaborado apenas para teste.

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**Excelentíssimo(a) Senhor(a) Doutor(a) Juiz(a) de Direito de uma das Varas Cíveis da Comarca de Salvador/BA**

**CAMILA RENATA AZEVEDO**, brasileira, solteira, arquiteta, portadora do CPF fictício nº 000.000.000-00, residente e domiciliada nesta Capital, por seu advogado que subscreve, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência propor a presente

## AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E MORAIS  
**com pedido de inversão do ônus da prova**

em face de **ASA AZUL FICTÍCIA S.A.**, pessoa jurídica de direito privado, companhia aérea, a ser citada em seu endereço comercial, pelos fatos e fundamentos a seguir expostos.

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## I – DOS FATOS

A Autora adquiriu passagem aérea da companhia Ré para o trecho **Salvador/BA – São Paulo/SP**, com embarque previsto para o dia **03/08/2026**.

Ocorre que, ao comparecer regularmente para o voo, foi informada de que este havia sido **cancelado**. Segundo atendimento prestado pela própria companhia, o cancelamento teria ocorrido em razão de **“manutenção não programada”**, conforme registro de SAC anexo.

Após o cancelamento, a Ré somente providenciou a **realocação da Autora cerca de 18 (dezoito) horas depois**, impondo-lhe extensa e indevida espera.

Durante todo esse período, a companhia aérea **não forneceu assistência material adequada**, deixando de disponibilizar **hospedagem, alimentação e demais providências mínimas** exigidas pela regulamentação aplicável.

Diante da omissão da Ré, a Autora precisou arcar, com recursos próprios, com as seguintes despesas emergenciais:

- **Hotel:** R$ 420,00;  
- **Alimentação:** R$ 95,00.

Total dos danos materiais: **R$ 515,00**.

Além do prejuízo patrimonial, a Autora suportou acentuado desgaste, angústia, frustração e desamparo, permanecendo por longas horas sem solução adequada por parte da transportadora. Também perdeu uma reunião em São Paulo, embora não possua prova específica de lucro cessante, razão pela qual não formula pedido nesse sentido.

A falha na prestação do serviço é manifesta, impondo-se a responsabilização da Ré.

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## II – DO DIREITO

### 1. Da relação de consumo e da responsabilidade objetiva

A relação estabelecida entre as partes é tipicamente de consumo, aplicando-se o **Código de Defesa do Consumidor**, nos termos dos arts. 2º e 3º do CDC.

A responsabilidade da companhia aérea é **objetiva**, nos termos do art. 14 do CDC, respondendo pelos danos causados ao consumidor em razão de defeitos na prestação do serviço, independentemente de culpa.

O transporte aéreo de passageiros impõe ao transportador o dever de conduzir o consumidor ao destino contratado nas condições de segurança, adequação e pontualidade legitimamente esperadas.

No caso, houve **cancelamento do voo** e **reacomodação apenas 18 horas depois**, sem a devida assistência material, o que caracteriza nítida falha do serviço.

### 2. Da inexistência de excludente de responsabilidade

A justificativa apresentada pela Ré foi de **“manutenção não programada”**.

Tal circunstância, contudo, **não constitui fortuito externo**, mas risco inerente à própria atividade empresarial, inserindo-se na esfera de organização, manutenção e operação da companhia aérea. Trata-se, portanto, de hipótese que **não afasta a responsabilidade civil** da transportadora.

A jurisprudência pátria é pacífica no sentido de que problemas operacionais e manutenção de aeronave integram o risco do empreendimento, não podendo ser repassados ao consumidor.

### 3. Da violação ao dever de assistência material

Nos termos da regulamentação da **ANAC**, especialmente da **Resolução nº 400/2016**, em hipóteses de atraso e cancelamento de voo, a transportadora deve prestar assistência material ao passageiro, de forma proporcional ao tempo de espera, incluindo meios de comunicação, alimentação e hospedagem, quando cabível.

No presente caso, apesar da longa espera de aproximadamente **18 horas**, a Ré **não forneceu hotel nem alimentação**, obrigando a Autora a custear despesas essenciais.

É, portanto, inequívoco o dever de ressarcimento integral dos gastos comprovados.

### 4. Dos danos materiais

A Autora desembolsou a quantia total de **R$ 515,00**, assim discriminada:

- R$ 420,00 referentes à hospedagem;
- R$ 95,00 referentes à alimentação.

Tais valores foram suportados exclusivamente em razão da conduta ilícita da Ré e devem ser integralmente ressarcidos, com correção monetária desde cada desembolso e juros legais a partir da citação.

### 5. Dos danos morais

O caso ultrapassa o mero aborrecimento cotidiano.

A Autora foi submetida a:

- cancelamento inesperado do voo;
- espera excessiva de 18 horas para reacomodação;
- ausência de informações e suporte adequados;
- desamparo material em cidade de trânsito;
- necessidade de custear hotel e alimentação por conta própria;
- frustração da programação profissional.

Em situações como a presente, o dano moral é **in re ipsa**, decorrendo da própria gravidade da falha na prestação do serviço e do evidente constrangimento imposto ao passageiro.

Dessa forma, é cabível a condenação da Ré ao pagamento de **indenização por danos morais no valor de R$ 5.000,00**, quantia compatível com os princípios da razoabilidade e proporcionalidade, além do caráter compensatório e pedagógico da medida.

### 6. Da inversão do ônus da prova

Nos termos do art. 6º, VIII, do CDC, requer-se a **inversão do ônus da prova**, uma vez que:

- a demanda decorre de relação de consumo;
- a Autora é parte hipossuficiente técnica em relação à companhia aérea;
- as alegações são verossímeis e encontram respaldo na documentação apresentada.

Compete à Ré, assim, trazer aos autos os registros operacionais do voo, os motivos concretos do cancelamento, as providências adotadas e eventual prova de assistência material efetivamente oferecida.

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## III – DOS PEDIDOS

Diante do exposto, requer a Vossa Excelência:

### a) Citação
A **citação da Ré**, no endereço constante de seus registros, para, querendo, apresentar contestação, sob pena de revelia e confissão quanto à matéria de fato;

### b) Inversão do ônus da prova
A **inversão do ônus da prova**, com fundamento no art. 6º, VIII, do CDC;

### c) Danos materiais
A condenação da Ré ao pagamento de **R$ 515,00 (quinhentos e quinze reais)**, a título de **danos materiais**, correspondentes às despesas com hotel e alimentação, acrescidos de correção monetária desde cada desembolso e juros legais a partir da citação;

### d) Danos morais
A condenação da Ré ao pagamento de **R$ 5.000,00 (cinco mil reais)**, a título de **danos morais**, acrescidos de correção monetária a partir do arbitramento e juros legais a contar do evento danoso, ou na forma que Vossa Excelência entender cabível;

### e) Custas e honorários
A condenação da Ré ao pagamento das custas processuais e honorários advocatícios, na forma da lei;

### f) Provas
A produção de todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente documental suplementar, testemunhal, depoimento do representante legal da Ré e exibição de documentos operacionais do voo cancelado.

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## IV – DO VALOR DA CAUSA

Dá-se à causa o valor de **R$ 5.515,00** (cinco mil, quinhentos e quinze reais), correspondente à soma dos pedidos de danos materiais e morais.

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Termos em que,  
pede deferimento.

**Salvador/BA, data do protocolo.**

__________________________________  
**Advogado(a)**  
OAB/UF nº ___

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## Documentos que podem ser listados ao final

1. Procuração;  
2. Documentos pessoais da Autora;  
3. Comprovante da passagem aérea e realocação;  
4. Comprovantes/recibos de hotel (R$ 420,00);  
5. Comprovantes/recibos de alimentação (R$ 95,00);  
6. Registro de atendimento SAC informando cancelamento por manutenção não programada.

Se quiser, posso também adaptar essa petição para:
1. **Juizado Especial Cível**, ou  
2. **formato mais técnico, com jurisprudência e fundamentos mais robustos**.